F-1: a emoção do trabalho em equipe

Luciana Brafman

Há muito não considero Fórmula 1 um esporte. Fiz uma concessão na Era Senna, como muitos brasileiros. Naquela época, torcia de verdade. Desde 1994 sem a presença do campeão, só consigo enxergar uma competição à base de tecnologia e dinheiro, com destaque para o nome de grandes corporações, marketing à frente. Business.\

Neste domingo, entretanto, voltei a me emocionar com a F-1. Mas não como esporte; como business mesmo. O locutor gritava que Verstappen (não o da minha geração, mas o filho dele!) virava, aos 18 anos, o mais jovem piloto a vencer uma prova da competição – o primeiro holandês a fazê-lo também. Não foram, no entanto, os recordes que me tocaram, mas as imagens geradas no circuito espanhol. Elas estão no YouTube, narradas em várias línguas. Para quem não assistiu, vale a pena.

A TV, claro, mostrou o piloto no carro após a bandeirada, com o braço estendido, símbolo da vitória. Mas em seguida foi atrás da emoção do trabalho em equipe. As imagens captaram a felicidade dos rostos, emoldurados pelos fones, dos anônimos da equipe RBR (Red Bull Racing). Todos se abraçavam e se beijavam calorosamente, em êxtase. Muitos pulavam, com largos sorrisos estampados na face. Acreditavam que eram, também, responsáveis pelo resultado.

Sem tirar qualquer mérito do jovem Max Verstappen, sabemos que nada conseguiria alcançar sem o suporte dos técnicos.
As boas equipes, dentro e fora da F-1, trabalham por um objetivo comum, são lideradas para isso. Os indivíduos dividem as tarefas, mas eventualmente fazem de tudo um pouco, em nome do que querem alcançar. Deixam a burocracia de lado e unem esforços. Arriscam na estratégia e assumem o risco. Dividem lucros e prejuízos. Com disciplina, avaliam os erros cometidos para melhorar a cada corrida. Gerenciam os desafios, como o limite da “matemática dos boxes”. Aproveitam as oportunidades (o acidente das Mercedes). Esquecem a vaidade por um momento e se jogam em busca do comum. Aliam profissionalismo e emoção. Estão totalmente dentro.

O público aplaude e vibra. É contagiante. Na pista de Barcelona, três homens de macacão laranja reverenciam o piloto da RBR, curvando-se em homenagem ao feito. A mídia tira a capa da neutralidade e também torce. Tudo isso é reconhecimento. E o “sonho vira realidade”, afirma o diretor da equipe, Christian Horner.

Não à toa, marcas gigantescas e bilionárias participam desse circo. Tem até um ranking dos construtores… Assim, mesmo os que não gostam genuinamente de velocidade e máquinas, como eu, têm muito o que aprender com o modo de trabalho da F-1.

imagem: divulgação Red Bull